Na última quinta-feira, dia seguinte à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, investidores estrangeiros retiraram um montante significativo de R$ 670,3 milhões do segmento secundário da B3, correspondente às ações já listadas. Esse movimento ocorreu em um contexto de queda do Ibovespa, que recuou 1,00% no mesmo dia.
A decisão do Copom, que teve um resultado mais dividido do que o usual — cinco votos a quatro —, parece ter influenciado diretamente o comportamento do mercado. Os diretores indicados pelo governo atual votaram por um corte mais acentuado da taxa Selic, de 0,5 ponto percentual, o que gerou preocupações no mercado sobre a possibilidade de uma política monetária mais leniente com a inflação acima da meta a partir do próximo ano, especialmente após o término do mandato de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central.
Apesar do saldo negativo para os investidores estrangeiros, o saldo mensal ainda se mantém positivo em R$ 1,67 bilhão. Contudo, o déficit anual significativo de R$ 32,59 bilhões destaca uma tendência de cautela por parte desses investidores em relação ao mercado brasileiro.
Por outro lado, os investidores institucionais apresentaram um comportamento diferente, injetando R$ 323,5 milhões na bolsa no mesmo dia. Apesar disso, o déficit mensal dessa categoria de investidores alcançou R$ 1,33 bilhão, mas mantêm um superávit anual de R$ 4,91 bilhões.
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Os investidores individuais também tiveram uma atuação positiva, aportando R$ 534,7 milhões na B3 na quinta-feira. Esse grupo tem demonstrado confiança no mercado, com um saldo positivo de R$ 19,7 milhões no mês e um impressionante superávit anual de R$ 16,79 bilhões.
Essas movimentações refletem a dinâmica complexa do mercado financeiro brasileiro, influenciado tanto por decisões internas de política monetária quanto por fatores externos e expectativas futuras. A B3 continua a ser um termômetro crucial para medir o pulso do investimento tanto nacional quanto estrangeiro no país.